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Alimentação Infantil julho 26, 2018

Seu filho é seletivo com a alimentação?

Seu filho é seletivo com a alimentação?

Uma questão corriqueira na alimentação de crianças, que tem por volta dos 2 anos, é o aparecimento das chamadas dificuldades alimentares. Questões comportamentais como a seletividade, muito falada entre os pais, neofobia alimentar (medo de provar novos alimentos), e outras. Essas condições são naturais, mas quando não as conhecemos muito bem tendemos a piorá-las, reforçando a dificuldade e fazendo com que realmente virem um problema, ao invés de passar por elas de forma tranquila e natural.

Em consequência disso, e sem querer, podemos permitir que a criança fique presa à monotonia alimentar, então deixamos que cada dia ela rejeite mais e mais alimentos, o que pode nos levar a acabar por abandonarmos a oferta de alguns. Mas, saiba que não é a criança que deixa de comer, somos nós que deixamos de oferecer. E se não oferecermos, elas não terão oportunidades para se familiarizar com os alimentos, superar suas dificuldades e desenvolver bons hábitos para o futuro.

Uma excelente estratégia para atravessar a fase da seletividade alimentar da criança e gerar bons hábitos alimentares, é saber oferecer os alimentos, e só há uma maneira: oferecer, oferecer e oferecer, dia após dia, sem desistir. Contudo, isso não significa forçar ela a provar ou a comer, significa criar a oportunidade para que a criança se interesse pelo alimento, incentivando e encorajando a provar, sem depositar nossas expectativas neste processo. Nós criamos a oportunidade e eles evoluem no tempo deles.

Oferecer não é apenas perguntar se a criança deseja comer tal alimento. No processo evolutivo, é dar oportunidades a criança para ela ver, tocar no alimento, sentir sua textura, temperatura, umidade, perceber sua cor, forma, beleza. E pode significar também apenas cheirar esse alimento, se ela ainda não estiver preparada para mais do que isso.

Muitas vezes, nossa expectativa de já iniciar comendo o que foi oferecido nos faz acreditar que tocar e cheirar não tenham relevância alguma, mas é assim que se inicia o processo de familiarização com os alimentos, justamente vendo, tocando, cheirando. Então, quando a criança se sente mais segura em relação a tal alimento, começa a provar. E, também, mesmo que essa prova tenha parecido irrelevante para nós, ela acaba sendo o caminho para que ela uma hora passe a comer aquele alimento de fato. E isso acontece porque já tiveram diversos contatos com essa comida, e porque nós pais mantivemos a paciência e persistência em continuar oferecendo.

Depois disso vão comer um volume quase que insignificante – para nós -, mas ainda assim o importante é que frutas, verduras e legumes nesta fase já estarão fazendo parte da vida dela.

Após essa fase, passa a ser só uma questão de irmos aumentando o volume oferecido, aos poucos, até que se estabeleça o equilíbrio entre os grupos alimentares no prato e na vida desta criança. Todo esse processo pode levar muitos meses ou até mesmo anos, mas se não desistirmos ele certamente ocorrerá.

Logo, precisamos garantir a eles o acesso a uma variedade alimentar e uma rotina organizada, e junto a isso, assegurar que sua fome apareça no momento certo. Ofertando lanchinhos de um tamanho que não atrapalhe a fome mais tarde, oferecendo comida de verdade, fresca e variada nas refeições, respeitando a fome da criança, deixando que coma o volume que necessita, sem medidas em tamanho, porque o correto é relativo.  Não posso falar em quantidades, pois cada criança tem sua necessidade. Por exemplo, enquanto para uma criança comer 1 fruta já é um lanche ideal e suficiente para continuar a ter fome durante a refeição principal, para outra criança, 1 fruta, 1 iogurte e mais 2 biscoitos, pode ser completamente normal, e ela ainda assim chegará à refeição principal com fome.

Hábitos de saúde são gerados na base do devagar e sempre. A pressa e as nossas expectativas além da capacidade da criança são contraproducentes. Pense em uma, ou duas, melhorias por vez, e quando uma melhoria tiver sido assimilada parta para a próxima.

Não se imponha mudanças radicais, reflita e faça melhorias consistentes, e não esqueça de que seu filho é único, por isso é seu próprio parâmetro. A educação alimentar é um processo de aprendizado, como tudo na vida de uma criança, requer tempo, paciência e tranquilidade, para que a melhoria ocorra no tempo dela.

E muito importante: não se esqueça de aproveitar essa caminhada em família, juntos, com afeto e com prazer, em uma alimentação saborosa e equilibrada, para que toda essa experiência se torne um aprendizado de saúde feliz, para que seu filho leve consigo por toda a vida.

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Comentários
  • arlete scodelario - 01/08/2018

    Gostei muito. Estou com dificuldade com um menino de 3 anos que comia bem variado e agora está muito seletivo, não querendo o que comia antes com prazer. Grata Arlete

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